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Por que você está sofrendo com dor?

Dor crônica é um problema de saúde que atinge 30% da população mundial e o Hospital São Francisco oferece centro de tratamento para esta reclamação tão frequente dos pacientes que procuram as unidades de atendimento

31/07/2014

PhD Dra. Izabel Lima, coordenadora do Centro de Referência no Tratamento da Dor Crônica do Hospital São Francisco 

A dor é uma queixa comum de quem procura algum tipo de serviço de saúde. Mas ela pode não ser apenas um sintoma, mas um alarme de que algo está errado, tornando-se a própria doença. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de um terço da população mundial apresenta algum tipo de dor crônica durante a vida e no Brasil esse número chega a quase 50 milhões de pessoas.

A dor crônica não deve ser encarada como algo normal, afinal, ela afeta o dia-a-dia das pessoas e traz prejuízos à qualidade de vida. Pode levar à depressão, distúrbio do sono, prejudicar o humor, a vida sexual, o raciocínio e o trabalho. Ela pode se estender por anos e também pode estar relacionada a algum tipo de lesão que foi tratada anteriormente ou às doenças crônicas, como artrite, fibromialgia, câncer, dentre outras. Descobrir a causa da dor crônica as vezes é difícil, o que em alguns casos retarda o início do tratamento adequado.

Após um acidente numa câmara frigorífica, a balconista Simone Reis, de 43 anos, teve uma atrofia muscular no braço direito. Sua dor não aliviava com o uso de analgésicos convencionais. “As dores eram tão fortes que eu me isolei e entrei em depressão. Não tinha vida social e, muitas vezes, me sentia inútil”, diz. Após avaliação clínica, a ajuda para a Simone veio do Centro de Referência no Tratamento da Dor Crônica do Hospital São Francisco de Ribeirão Preto. O centro oferece programa terapêutico que tem o objetivo não apenas o alívio da dor, mas a reintegração social do paciente.

O local dispõe de infra-estrutura que garante qualidade do serviço e conforto ao paciente. Atende por mês cerca de 120 pacientes, submetidos aos bloqueios previamente agendados em consultórios, e conta com sala exclusiva para este tipo de tratamento, localizada nas dependências do hospital, possui leitos com monitorização, aporte de oxigênio e aspirador, equipe de médica e psicóloga especializada e enfermagem, aparelhagem e medicamentos para situações de emergência, ar condicionado, música ambiente relaxante , espaço para acompanhantes, banheiros, além da copa de onde são servidas dietas leves no momento da alta hospitalar do paciente, que na maioria dos casos ocorre no mesmo dia. .

“Foi a partir do meu tratamento no centro que senti o alívio para minha dor lombar que limitava meus movimentos. Eu não conseguia andar, ficava na cama e isso me deixou muito angustiada. Hoje já consigo fazer as atividades do dia-a-dia e com bom humor”, relata Maria Rosenir Pereira de 63 anos.

O tratamento da dor crônica envolve uma avaliação e acompanhamento das necessidades de cada paciente. Através de uma escala numérica visual de 0 a 10 é possível conhecer a intensidade da dor crônica dos pacientes e em que situações o desconforto aumenta diante das atividades diárias realizadas em casa ou no trabalho. A partir desse levantamento é possível estabelecer as orientações terapêuticas, que são fornecidas individualmente.

“A dor crônica exige um tratamento mais efetivo e de terapias que ajudem a diminuir o desconforto dos pacientes. Fazemos um trabalho personalizado, direcionado para cada pessoa, conforme a história da origem e localização da dor, levando em consideração suas características físicas e emocionais”, explica a PhD Dra. Izabel Lima, coordenadora do Centro de Referência no Tratamento da Dor Crônica do Hospital São Francisco, que já publicou vários trabalhos científicos sobre o tema e concluiu Mestrado e Doutorado nesta especialidade.

Faz parte do tratamento o uso de medicamentos mais potentes, que podem ser associados às técnicas de “bloqueios analgésicos ou neurolíticos”. Os bloqueios têm como objetivo a diminuição da intensidade e frequência da dor, alterando a memória “crônica” da dor à nível das vias sensoriais, melhorando a circulação ou vascularização e, consequentemente, a recuperação funcional da área atingida.

Dos pacientes atendidos no centro, 50% deles apresentam dor lombar, 10% neuropática (dor associada às doenças que afetam o sistema nervoso periférico ou central), 20% neoplásica (dor associada a doenças oncológicas ou câncer) e 20% outras enfermidades.

Após uma mastectomia (cirurgia de remoção completa da mama) devido ao câncer, Patricia Gonçalves, 48 anos, evoluiu para uma dor crônica por lesão dos nervos na região afetada, com fibrose e queimaduras após tratamento radioterápico. “A dor era insuportável”, diz a balconista que foi encaminhada ao centro por recomendação médica. “Hoje eu retornei as minhas atividades e, através do tratamento, consigo controlar a dor, com menor frequência do uso das medicações em casa e tenho reduzido minhas visitas ao centro”.

A presença da dor crônica como problema de saúde pública tem chamado à atenção dos profissionais da saúde e estimulado o estudo científico mais aprofundado sobre suas causas e tratamentos. “A dor crônica compromete de várias maneiras o ser humano e nosso objetivo é possibilitar que o paciente recupere o seu potencial funcional ou laborativo, melhore seu aspecto psicológico, social, pessoal ou familiar através do controle da dor, alcançando uma qualidade de vida ideal conforme as necessidades e possibilidades de cada paciente, esclarece Lima.

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