Laboratório São Francisco
A Proteção Que Você Merece

Notícias

Arte da superação

Paratleta, patrocinada pela São Francisco Saúde, mostra como superou as adversidades e se tornou uma campeã

15/01/2016

A paratleta lançou uma campanha, em seu blog, daninobile.com.br, para adquirir uma handbike de alumínio. 

Apenas três anos após sofrer o acidente que tirou movimentos de suas pernas, Danielle Nobile realizou uma conquista inédita: tornou-se a primeira mulher a conquistar o Campeonato Brasileiro de Paratriathlon, que aconteceu em Caraguatatuba, em 23 de agosto de 2015. Antes disso, já havia sido campeã da Meia Maratona de Buenos Aires, da Golden Four Asics SP, ambas em 2014, e da Mizuno Half Marathon em 2015. Também conquistou a Wings for Life Brasil no ano passado e este ano, e ganhou o 2º lugar da prova na Itália, como embaixadora brasileira.

A paratleta sofreu o acidente um mês antes de concorrer ao primeiro triathlon. “Depois de três anos, finalmente, cruzar a linha de chegada de uma prova da modalidade é uma emoção indescritível. Nos últimos 500 m, quando percebi que iria terminar, chorava e ria sem parar, fiquei muito emocionada”, conta Danielle, que agora tem esperança de, um dia, representar o Brasil nos Campeonatos Mundiais.

Quando a tragédia aconteceu, imaginou que, nesse período, voltaria a andar, mas decidiu perseguir seus sonhos no esporte. “Consegui colher bons frutos, estou muito feliz e realizada. Se o plano A não deu certo, o plano B está dando. Sou muito mais feliz com a vida que tenho hoje e não a trocaria pela vida que tinha antes do acidente”, garante a para-atleta. Para chegar nesse nível, Danielle treina seis dias por semana para várias modalidades: handbike, natação, e musculação.

Também faz fisioterapia duas vezes por semana no Centro Universitário Barão de Mauá. A parceria é fundamental no caso de Danielle. Seu estado requer cuidados profissionais e equipamentos específicos dos quais depende para alcançar as condições favoráveis à carreira atlética. Além dos familiares e amigos, no início da carreira Danielle contou com ajuda do primeiro professor de natação, Jones Miller, e de sua médica, Paula Leal. Hoje, tem o apoio de Rodrigo Inouye Gouveia e de Eduardo Visentini, running coaches e personal trainers da Fun Sports – Consultoria Esportiva, da equipe da Cia Athlética e de sua técnica de natação, Ju Bezzon.

Danielle também tem como patrocinadores as empresas São Francisco Saúde, Passaredo, Porto Açaí, Vivian Bogus Fitness, Manipularium, RibeirãoShopping, Bike Center e Evolution Suplementos. Sem esses apoiadores, a para-atleta não teria condições de participar dos campeonatos.

Seu grande sonho é voltar a andar, mas, enquanto isso não acontece, dedica-se a se tornar uma grande atleta e sonha em competir nos mundiais e em ser convocada para as Paralimpíadas. Também quer influenciar mais pessoas a ter uma vida saudável. Há um ano e meio, a atleta fez um blog para incentivar os cadeirantes a buscarem mais qualidade de vida.

O personal trainer de Danielle ressalta que a atleta se mostra perseverante e realista desde o primeiro dia após seu acidente. “Ela traçou um plano A, que é voltar a andar, e um plano B, que é se tonar uma paratriatleta, mas não ficou presa a isso e foi atrás do B. Isso mostra que ela não se entregou aos obstáculos, decidiu enfrentar as dificuldades diariamente, ainda mais focada em seus novos objetivos”, comenta Eduardo, seguro de que a jovem ainda proporcionará muitas alegrias.

Antes de prescrever um programa de atividade física, os treinadores fazem uma avaliação e dimensionam os objetivos de cada indivíduo. A partir daí, têm condições de escolher os caminhos para chegar aos resultados esperados e possíveis.

“Cabe ao treinador propor uma atividade condizente com a realidade do atleta — um programa de atividade física para um deficiente não difere de um para não deficiente. Ambos contemplam atividades possíveis de serem realizadas, sendo explorado o que é permitido fazer”, esclarece Rodrigo, ressaltando que a pessoa deficiente não precisa de dó, mas de respeito.

No caso de Danielle, o maior desafio foi a atleta se redescobrir, entender como seu corpo passou a funcionar e o que era capaz de fazer, segundo Rodrigo. Os resultados vieram naturalmente. “A Dani simplesmente dá um banho em todos nós quando o assunto é otimismo, determinação e coragem. Para uma pessoa assim, o difícil seria não alcançar o sucesso”, ressalta Eduardo.

São justamente características como essas que motivam os treinadores a trabalhar com atletas deficientes. “Eles têm garra de viver e de conquistar seus sonhos, não perdem tempo reclamando da vida, vão atrás de seus objetivos e nunca desistem de buscar o que desejam”, conclui Rodrigo.

Lutando contra a corrente

Brigar com as limitações impostas pela deficiência é apenas uma das lutas de Danielle Nobile. A handbike que usa para competições é de ferro e pesa quase que três vezes mais que as de alumínio, usadas pelas demais atletas.
Assim, Danielle tem que carregar muito mais peso que as concorrentes, o que a torna mais lenta nas competições, e evidencia seu talento, pois, apesar disso, ainda é a terceira no ranking nacional de paraciclismo. Essa limitação a impede de concorrer em provas maiores. A handbike também não atende às normas da UCI, a Federação internacional.

Danielle também não tem cadeira de atletismo, usada na parte da corrida nas provas de triathlon — compete com equipamento emprestado. “Sem a cadeira, eu não consigo treinar corrida e melhorar essa parte, na qual sou péssima”, comenta a atleta.

Mesmo com a ajuda de seus patrocinadores, a para-atleta paga com dificuldade as contas domésticas, os custos da dieta e das viagens que realiza para as provas. Já teve que cancelar várias competições por falta de recursos. Como não tem carro, Danielle não pode levar a hanbike para locais onde possa treinar com segurança, e realiza seus treinos no rolo, um suporte que mantém o equipamento girando, sem sair do lugar, dentro do apartamento.

“Nos treinos, não enfrento subidas, descidas contra vento e condições climáticas diversas, como encontramos nas provas. Sei que meu desempenho seria melhor se eu pudesse treinar na rua”, explica a campeã. Para o transporte, Danielle conta com a ajuda de um taxista para colocar a handbike e a cadeira de rodas dentro do carro, mas esse serviço é pago.

Por esses fatores, a para-atleta lançou uma campanha, em seu blog, daninobile.com.br, para adquirir uma handbike de alumínio, que vá ao encontro dos padrões exigidos pelos campeonatos e que a possibilite disputar as provas em pé de igualdade com os concorrentes.

“Com essa handbike, teria muito mais condições de competir e trazer mais prêmios para a cidade. Espero muito que as pessoas compartilhem deste meu sonho”, conclui a atleta, destacando que as pessoas também podem colaborar fazendo depósito na conta que está no nome de Danielle Nobile Bó (conta corrente 01019668-8, agência 0467 do Banco Santander).

Texto: Carla Mimessi
Fotos: Júlio Sian e arquivo pessoal
Matéria publicada no site Revide

Galeria de Imagens

Voltar