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Brasil registra queda no número de transplantes de ossos nos primeiros seis meses de 2014

O Hospital São Francisco de Ribeirão Preto (SP) figura na lista de hospitais brasileiros habilitados em realizar cirurgias com ossos de bancos de tecido humano

02/09/2014

"Não há, até o momento, melhor material para substituição de perdas ósseas que o próprio tecido human", diz o cirurgião André Siqueira  

Um levantamento divulgado pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos aponta queda de 5,11% no número de transplantes de ossos do Brasil no primeiro trimestre de 2014 em relação ao mesmo período do ano passado. O relatório não indica claramente as causas da diminuição, mas sugere que o país está vivendo um ano atípico por causa da Copa do Mundo e dos preparativos para as Eleições. Neste segundo trimestre o número de doadores foi 4% menor do que os três primeiros meses do ano.

De janeiro a junho deste ano foram realizados 10.388 mil transplantes ósseos no país, sendo que 761 foram para as cirurgias ortopédicas e 9.614 para as odontológicas. São Paulo é o estado que ocupa o primeiro lugar no ranking nesse tipo de transplante (9751), seguido pelo Rio Grande do Sul (322), Rio de Janeiro (310) e Pernambuco (5).

“Como acontece também na doação de órgãos, a demanda por tecidos musculoesqueléticos, incluindo tecidos ósseos, esbarra na falta de informação por parte de familiares e profissionais. Esse ainda é um grande entrave para o aumento no número de doadores”, diz André Siqueira, coordenador do centro de ortopedia do Hospital São Francisco.

O Hospital São Francisco de Ribeirão Preto (SP) está entre as instituições de saúde do Brasil autorizadas a realizar cirurgias que utilizam enxertos de ossos de bancos de tecido humano. Para esse tipo de procedimento, foi credenciado ao Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde e está habilitado a oferecer tratamentos especializados aos pacientes que procuram o centro de ortopedia.

O credenciamento foi concedido após a avaliação de critérios qualificadores estabelecidos pelo Ministério da Saúde. A alta complexidade técnica e operacional do hospital e a formação especializada da equipe médica foram alguns dos pontos analisados.

Os casos mais indicados para a utilização de enxertos ósseos na ortopedia são as cirurgias de joelho, quadril e oncológicas – aquelas em que se retira o osso com tumor e se troca por um enxerto.

De acordo com Siqueira, “não há, até o momento, melhor material para substituição de perdas ósseas que o próprio tecido humano e o melhor é o do próprio paciente. Mas quando o paciente apresenta algumas complicações o uso de banco de tecidos é uma opção”, diz.

O Hospital São Francisco não possui um banco de ossos próprio, mas para realizar a cirurgia, o material deve ser solicitado pela equipe de cirurgiões ortopédicos, que são credenciados ao Ministério da Saúde. Atualmente, existem seis Bancos de Ossos no País: no Rio Grande do Sul (Passo Fundo), Paraná (Curitiba), no Rio de Janeiro (INTO), São Paulo (HC, Santa Casa e Unioss).

Os ossos utilizados nos transplantes feitos no Hospital São Francisco são oriundos do Unioss Banco de Tecidos Músculo Esquelético de Marília (SP). A unidade recebe, em média, 1.350 solicitações para transplante ósseo por mês. As principais indicações são para pacientes que apresentam tumores, falhas ósseas em revisão de prótese de quadril e joelho, além de reconstruções buco maxilo facial (ossos da face).

Para a coordenadora da Unioss, Karla Bachega, o número de transplantes tem crescido no país na última década, “mas os números ainda são insignificantes perto do tamanho de nossa população. A doação de tecido ósseo ainda é baixa no país e a doação de ossos não faz parte da cultura nacional”, esclarece.

De acordo com Karla, os ossos de um doador pode beneficiar cerca de 100 receptores que precisam de enxerto. “Considerando as devidas proporções um doador pode beneficiar um transplante cardíaco, dois transplantes renais, dois transplantes de córnea um transplante de fígado e um transplante de pâncreas, por exemplo. No caso dos transplantes ósseos, o doador pode beneficiar até 280 pessoas”, argumenta.

O Ministério da Saúde e a Anvisa desenvolveram a RDC 220, uma norma técnica que constitui e fiscaliza todo o processo que envolve os bancos de ossos no Brasil, para garantir segurança aos pacientes. Durante a captação dos ossos, as amostras colhidas passam por testes sorológicos e exames para verificar se o doador não possui hepatite, HIV e outras doenças transmissíveis.

“No Hospital São Francisco trabalhamos seguindo as orientações da Bioética e da Biossegurança para garantir a segurança e a qualidade de vida do paciente”, conclui Siqueira.

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